Há várias questões morais a serem consideradas ao debater qualquer forma de eutanásia e suicídio assistido:
- Santidade da Vida: A vida é intrinsecamente valiosa e sagrada, independentemente da sua qualidade ou do sofrimento envolvido. Terminar intencionalmente uma vida humana viola este valor intrínseco.
- Risco de Abuso: A legalização da eutanásia pode levar ao uso indevido ou à coação. Indivíduos vulneráveis, como os idosos, pessoas com deficiência ou aqueles com doenças graves, podem sentir-se pressionados a escolher a eutanásia devido a encargos sociais ou familiares, preocupações financeiras ou o medo de serem um fardo.
- Efeito de Deslizamento: Permitir a eutanásia em casos limitados pode facilmente levar a aplicações mais amplas e menos éticas com o tempo. Uma vez que a sociedade aceite a eutanásia para pacientes terminais, ela pode ser estendida para pessoas com condições não terminais, problemas de saúde mental ou até mesmo eutanásia não voluntária.
- Comprometimento dos Cuidados Paliativos: A eutanásia pode diminuir o foco na melhoria dos cuidados no fim da vida. Em vez de se investir em avanços nos cuidados paliativos, a sociedade pode ver a eutanásia como uma solução mais simples e económica, privando os pacientes de alternativas compassivas para gerir a dor e o sofrimento.
- Princípios morais e éticos básicos: Matar, mesmo que consensual, entra em conflito com os nossos códigos morais fundamentais. Filósofos como Immanuel Kant argumentam que tirar a vida, mesmo para aliviar o sofrimento, mina o tecido moral da sociedade. Isso poderia corroer o respeito pela dignidade humana e a proibição do homicídio intencional.
- Potencial para Erro: Decisões sobre a vida e a morte são complexas e suscetíveis a erros. Diagnósticos e prognósticos podem estar errados, levando indivíduos a escolherem a eutanásia prematuramente. Além disso, condições psicológicas como a depressão podem prejudicar o julgamento, tornando o consentimento questionável.
- Valor do Sofrimento: O sofrimento pode ter (mesmo grande) significado ou propósito. Algumas visões filosóficas ou religiosas defendem que suportar o sofrimento pode promover o crescimento pessoal, o desenvolvimento espiritual ou aprofundar as relações com os outros, tornando-o uma parte essencial da experiência humana.
No fim, o caso é claro: Nunca devemos desistir de ninguém, mas sim defender a dignidade de cada vida humana.